Temporada de casamentos na India

rituais durante a cerimônia de casamento Hindu

Há uns dias eu fico pensando se continuo escrevendo em inglês ou português, tem sido um dilema e tanto, principalmente para libriana aqui. Mas hoje, para me aproximar um pouquinho de casa. resolvi que quero falar tudo na minha lingua materna (pelo menos por enquanto). Fazem três semanas que eu cheguei na India, mas já rolou tanta coisa que parecem meses…

No post dessa semana eu decidi falar sobre o que eu mais tenho experienciado nas duas ultimas semanas: casamentos indianos. Eu disse para os meus amigos que me hospedaram esses ultimos dias que eu nunca tinha ido em tantos casamentos na minha vida em um período tão curto de tempo (ou talvez na vida inteira mesmo). Agora, como rolou eu chegar e estar rolando tanto casamento junto? Bem, aqui existe o que eles chamam de temporada de casamentos, acontece geralmente nos meses de janeiro e fevereiro e em cada esquina que você olha vai estar rolando alguma coisa.

Cada casamento é organizado de acordo com o que a família determinar como sendo o melhor, no entanto existem algumas funções que todos eles tem em comum, digamos que a ordem dos fatores não altera o resultado, mas tem que conter todas as variáveis no meio. A quantidade de dias também depende dessa organização, geralmente são 3 a 4 dias, pode ser mais ou menos. Então a seguir vou tentar explicar um pouquinho do que consegui aprender nos três casamentos que pude participar.

Sangeet

A primeira festa que eu participei foi a Sangeet, que é considerada a noite de musicas. É a festa de entrada, onde familiares podem se organizar para dançar e cantar para os noivos como uma forma de celebrar o casamento que irá acontecer. Nos três casamentos membros da família ensaiaram danças típicas e apresentaram para os convidados e pelo que andei lendo, geralmente é algo realizado pelas mulheres, mas em um dos casamentos os homens também estavam participando.

Baraat

O Baraat é a procissão que vai trazer o noivo para a cerimônia, então os homens todos se reúnem atrás de um carro de som ou de músicos com tambores e vêm cantando músicas tradicionais. Para mim foi um dos momentos mais festivos e cheios de energia, mas acho que é por conta do tipo de música que faz com que você queira sair pulando junto com todo mundo. Aqui muitas mulheres também estavam no meio, no entanto seria algo destinado aos homens.

Cocktail Party

Cocktail Party é como se fosse a despedida de solteiro tanto do noivo quanto da noiva, a diferença é que rola todo mundo junto. Essa festa é bem parecida com as nossas baladas, um dos casamentos rolou em um local aberto e tinha um palco com música ao vivo, já o outro foi em um hotel com mais cara de balada. Uma coisa que é muito engraçado, pelo menos pra mim, são os hits ocidentais que colocam, quase não existe músicas atuais, são musicas que fizeram sucesso pelo menos cinco anos atrás, então foi divertido o sentimento de nostalgia.

Festa de recepção

A festa de recepção é quando as pessoas vão dar suas felicitações aos noivos, geralmente o casal fica sentado tirando foto a noite toda com os convidados (acho que deve ser cansativo para eles), mas para os convidados é um dia para aproveitar a comida maravilhosa. Aliás a comida é extremamente importante em todas as festas aqui na Índia, é um exagero em todos os sentidos. Mas cuidado caso você venha, por conta da quantidade de pessoas e da pressão as questões de higiene nem sempre ficam como prioridade e em um dos dias eu passei mal. Claro que depende muito do lugar e antes de ir nesse dia específico eu fui avisada para não comer muito, mas a masala drink (refri com temperos diversos) estava lá e não deu outra… uma noite de detox.

O ritual de casamento

O ritual em si, aquele que vemos o casal dando sete voltas ao redor do fogo (ou quatro se for um casamento sick) acontece na data e horário determinado pelo Poojari (tipo um padre). Geralmente vai acontecer altas horas, depois da festa de recepção, mas em um dos casamentos me explicaram que pode acontecer de dia e isso depende da casta. (eu ainda não consegui entender muito sobre as castas, mas mais pra frente vou trazer esse tema por aqui). Eu consegui assisti apenas parte da cerimônia, pois são várias horas e geralmente só ficam os familiares mais próximos. Primeiro acontece um ritual para o noivo, acompanhado pelo pai da noiva. Depois acontece o da noiva com seu pai e por fim acontece o ritual do casal e ambos os pais, tanto do noivo quanto da noiva. É um dos dias mais cansativos para todo mundo, principalmente devido a quantidade de protocolos.

Mehendi

Mehendi é um dos rituais de casamento e é um dos 16 ornamentos que a noiva deve usar. A aplicação da henna acontece antes da cerimônia e geralmente os familiares e amigos se reúnem para isso. Não é exclusivo da noiva, todos podem fazer, no entanto o design da noiva é mais complexo e sofisticado, abrigando símbolos e significados. Ao fazer é preciso esperar uma hora (ou até secar) e uma dica é aplicar limão para que a cor fique mais escura. Depois é só passar óleo e com uma faca ou espátula você retira. Não se deve lavar a mão logo em seguida, pelo menos uma quatro horasa são necessárias para que a henna se fixe. Além disso ela tem um cheiro bem específico que pode ficar por dias. (Eu acho agradável, mas não é todo mundo que gosta).

mehendi

Para finalizar, esses dias eu fiz um post no instagram falando um pouco sobre o que eu senti nesses dias todos. A verdade é que é uma cultura muito diferente e que eu como brasileira e atulamente viajante, não sei se conseguiria me encaixar em um padrão assim. No entanto, acho que a palavra é respeito. O mundo vai mudando, mas ainda assim a tradição prevalece e o casamento é parte essencial da vida social na Índia, todos aqui sabem que terão que se casar, é o esperado e segundo o que muitos jovens me contaram, os pais escolhem o parceiro, e para eles tudo bem, afinal podem julgar melhor a compania ideal. Tem coisas que me parecem sensatas, outras eu não sei. Mas no fim, viajar é isso, sair da zona de conforto, questionar, se por a prova e entender que existem coisas muito diferentes daquilo que você passou a vida inteira acreditando que é o certo ou normal, e essas experiências são as coisas mais ricas que podemos levar ao longo da vida, pois elas são capazes de nos reconstruir e nos ajudam a sair das nossas caixinhas… Por isso, continuo com o mesmo pensamento de que se for visitar a Índia (ou qualquer país com uma cultura MUITO diferente da sua), tem que ser com o coração aberto.

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